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sábado, 30 de abril de 2011

DOCUMENTÁRIO 3ª parte

OS PROBLEMAS QUE NINGUÉM QUER VER...
(...NEM MOSTRAR) (3ª parte)

     Caros Leitores e Leitoras do Tavaintalado, a correria desta semana me impediu de postar na , mas espero que esta postagem valha o atraso. Meu Processo Administrativo na Prefeitura está na reta final, o que tem tirado meu sono, me deixado muito angustiado, me dado dores de cabeça terríveis e muita indignação. A indignação será muito fácil de compreender com o relato que faço de coração para vocês.

     Certa vez, um cara cheio de sonhos e com a vontade de melhorar a Cidade (que havia adotado como a sua) resolveu propor algo simples, sincero e muito produtivo. Como este cara era um engajado e preparado funcionário público da área da Saúde e do Meio Ambiente, ele, junto de seus amigos de trabalho, logo nos primeiros dias de um novo e promissor governo, levaram para um dos líderes deste governo (um vereador) uma proposta onde cada rua, avenida, praça e imóvel desta Cidade seriam visitadas, vistoriadas e melhoradas. As pessoas seriam ouvidas. Tudo gradativamente, sem pressa, como em qualquer coisa bem planejada e executada com dedicação. Pela prática dos proponentes havia uma estimativa de que seria possível concluir a atividade em todo o Município em uns 2 anos, o que seria uma total transformação no perfil ambiental e epidemiológico desta Cidade. Ao contrário dos interesses gerais, os proponentes não queriam cargos, não queriam gratificações e nem vantagens pessoais, queriam apenas executar algo que melhoraria a condição de saneamento e, consequentemente, de vida das pessoas desta Cidade. O cara cheio de sonhos do qual falo no início, olhou bem nos olhos do vereador que recebeu tal proposta e disse: “Saiba que gostamos de nosso trabalho e desta Cidade. Tornamos esta profissão nossa escolha de vida. Temos paixão por nossa atividade. Sendo assim, nos comprometemos em executar uma boa tarefa para a População.”

     O tempo passou e nada de planejamento, nada de mudanças nas fórmulas já vencidas pelos problemas, nada de pessoas propondo soluções. Nada de respeito aos trabalhadores... Ao contrário, mantiveram-se e foram ampliados os benefícios e os cargos desnecessários. Novas práticas irregulares foram adotadas. Antigas irregularidades foram modernizadas. Causadores de problemas passaram a ser absolvidos e qualquer um que se colocasse contra as irregularidades deveria ser perseguido, calado, afastado e humilhado. Mesmo com todas as evidências, relatórios e estatísticas, nada, nada foi capaz de impedir o fracasso total e imperdoável deste governo. O pagamento de dívidas de campanha, pelo caráter que tem, cobra seu preço. Falta de conhecimento técnico. Falta de habilidades na lida com o RH, falta total de planejamento e tantas outras faltas passarão impunes. Sabem quem está pagando? Eu, você, nossas famílias e amigos... todos nós estamos sendo punidos. Uma morte lamentavelmente foi confirmada e, pelos rumores, outras serão. Quanto custa a falta de sensibilidade dos governantes e políticos profissionais? Até quando a População vai se manter calada diante de tanta podridão? Não conhecia a jovem que faleceu. Talvez tenha estado em lugares onde ela também esteve ou estava. Não conheço sua família. Mas devo dizer que quando fiquei sabendo da morte dela, chorei muito e lamento do fundo do meu coração que isto tenha acontecido. Gostaria de pedir a vocês que estão lendo isto que imaginem por alguns segundos alguém muito especial e imaginem a possibilidade de perder esta pessoa... se você não se emocionar com isso, você já pode se sentir um “ser não humano”, como os políticos têm demonstrado ser. Espero que meus sentimentos e orações possam chegar ao coração dos amigos e familiares desta moça e torço para que tentemos impedir que novas vidas sejam ceifadas pela incompetência administrativa reinante neste País. Será que será necessário exigirmos Leis que obriguem políticos e seus familiares a serem tratados pelo SUS e atendidos na rede pública de Educação? Obriga-los a andar em transportes coletivos? O que está havendo com os órgãos de fiscalização, direitos humanos e de Justiça? Os processos serão sempre contra funcionários? Mesmo quando não fizerem o menor sentido? A População mais carente de serviços é que deve ser penalizada?... Venho alertando há muito tempo... quando lidamos com a vida das pessoas não há espaço para incompetências e vagabundagens... reparo, graças à Internet LIVRE, um número crescente de pessoas percebendo que se expressar faz a diferença... proteste, grite, chore, denuncie, poste coisas realmente relevantes para o coletivo... mas por favor, seja humano, tenha sentimentos e saiba, desta vez não foi você, mas se nada for feito, quem garante que você não será o próximo a deixar seus familiares e amigos tristes e inconformados?

     Quando penso que poderia ter participado com o meu suor, ao lado de meus amigos e de outros funcionários motivados e comprometidos de uma tarefa simples e objetiva com vontade e dedicação e que interesses completamente opostos ao bem comum impediram... Quando penso que poderíamos não ter tido uma epidemia, um caso, uma febre, uma morte... Quando penso... quando penso... existo!... e isto é perigoso...

Democracia = governo do Povo para o Povo
(é mesmo? Cadê o Povo? Só no prejuízo!?)

     Esta semana, volto a pedir desculpas pelo atraso na postagem, mas é que o próximo Documentário está dando um trabalhão, mas ao menos, agora estaremos em bando... (e quando eu digo que essa moçada que está chegando tem uma outra visão do Mundo tem gente que duvida... vocês vão ver...). Os vídeos desta semana, por questões técnicas e problemas com aquela peça que se senta numa cadeira à frente do computador, os vídeos estarão sem edições... do jeito que foram feitos foram postados... é um formato de vídeos que queremos explorar também...


IMPORTANTE: Todo o texto foi elaborado por mim tendo por base minhas experiências profissionais na área de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente. As filmagens foram feitas para uso nesta postagem. As pessoas que eventualmente aparecem nas imagens deram seus depoimentos e suas colaborações de forma absolutamente espontânea.Quando houverem informações ou imagens de outras fontes, elas serão mencionadas. Não me oponho ao uso deste material parcialmente ou na integra para fins educativos ou para a confecção de trabalhos escolares, porém, por uma questão de respeito, peço que qualquer imagem, vídeo ou trecho de textos retirados deste Blog mencionem o link:


     Continuando com os vídeos que integram o nosso 1º Documentário, teremos hoje casos bem distintos, ainda assim, todos relacionados ao saneamento da Cidade. Uma situação encontrada chega a ser engraçada. Um borracheiro fez uma limpeza em sua borracharia. Não sei se ele pagou alguém ou se foi ele mesmo. O fato é que, além de ter jogado uns 30 pneus numa mata, o borracheiro deixou um cartão de visitas... uma placa com seu telefone celular e o horário de atendimento. Eu sempre comento que é comum o lixo e o entulho conterem endereços, extratos bancários e até documentos das pessoas, basta procurar. Este é só mais um exemplo. O fato principal é que devemos tomar consciência de nossas obrigações com o Meio Ambiente. A degradação é acelerada e muitos ainda colaboram com a destruição. Precisamos reverter este quadro urgentemente. Neste documentário estamos mostrando como a própria População trata suas Áreas de Preservação. Vemos também que a falta de planejamento administrativo faz com que algumas coisas bem simples nunca sejam resolvidas... o desprezo pela periferia ainda é muito difundido. As agressões ao meio ambiente e a falta de estruturas adequadas e sustentáveis de saneamento acabam sobrecarregando o sistema de Saúde. Mortes evitáveis acabam acontecendo e todos tentam tapar o Sol com a peneira... mas na “Morada do Sol” é difícil esconde-lo...

Vídeo: pneus na mata-entulho em áreas de preservação

Meus amigos e companheiros de equipe “Torres” e “Marcelão” retiraram os pneus mostrados no vídeo nos dias 11 e 12 de Abril, logo após a gravação dos vídeos. Obrigado “Sinantrópicos”!!!!!

vídeo: situação da linha férrea no Jd. das Hortênsias

vídeo: água parada no Jd. das Hortênsias-limpeza e mutirão recentes

     Já o outro caso é bem menos engraçado e é muito sério é o mostrado nas margens dos trilhos da ferrovia do Jardim das Hortênsias. A empresa responsável e a Prefeitura não definem a limpeza, desta forma, quando não é o mato e o entulho é o fogo que prejudica a População. De acordo com informações que obtivemos no local, havia passado uma máquina limpando há uns 20 dias e havia ocorrido um arrastão da Dengue no dia anterior ao da filmagem, portanto em 08/04/2011, no entanto pode-se ver grande quantidade de objetos que podem reter água nas imagens. No Jardim das Hortênsias registramos a falta de zeladoria nos próprios prédios públicos. Mato alto, uma mal definida divisa com uma área de mata, lixo mal disposto, calçadas danificadas ... tudo o que infelizmente se tornou comum nos prédios públicos de toda a Cidade. Um casal de moradores deu seu depoimento e isto será exibido na próxima semana, onde voltaremos a questionar a falta de “bolsões de entulho” nos bairros onde mais fazem falta. A Cidade está um prato cheio para blogueiros e para a própria População tirar suas conclusões. Quando começamos a usar desenhos, bonecos, figurantes e cenários para podermos fazer nossas propagandas... uhhhh... será que está difícil mostrar as pessoas e os lugares!? Pois bem... continuaremos com nossa pouca estrutura e com nossa grande vontade de fazer a diferença. E você?




Obrigado e até a próxima....


conheçam o vídeo clipe da banda ex4 e o projeto "ex4 nas escolas"
é o espírito que parece estar surgindo nas novas gerações
para protestar é preciso estar atento, ter conteúdo
ex4 estimula o potencial dos jovens e adolescentes
faz pensar política, saúde, educação...
EU PROTESTO também!!!!!
parabéns ex4 pela música e pelo clipe

sexta-feira, 25 de março de 2011

Saneamento, saúde, sociedade ... em qual ½ ambiente você está?

eu e minha família em casa de campo
Curupá - Tabatinga - São Paulo
início dos anos 1980
     Faça um teste. Imagine um lugar onde você tenha brincado na infância. Um lugar com árvores e água corrente de um rio ou riacho. Procure em antigas fotografias estes lugares e pergunte aos mais velhos sobre outros lugares de outras antigas fotografias. Escolha 2 ou 3 aleatoriamente e tente descobrir como estes lugares estão hoje. Com o aparato das redes sociais talvez seja possível conseguir informações quase instantâneas. De Curupá (Distrito de Tabatinga, interior de São Paulo) tentarei mostrar o Rio São João. Passei parte de minhas férias de infância e adolescência em Curupá. Por lá vivia com meu irmão tudo o que era quase impossível numa metrópole como era São Bernardo do Campo nos anos 80 e 90. Nadar nos rios e represas, pescar, correr pelas ruas, soltar pipas sem medo de ter a linha cortada, rolar na terra, jogar bola, pegar as bicicletas e sumir, apanhar frutas do pé ... ir até onde as pernas e os jovens pulmões conseguissem ir... tudo muito ingênuo e empolgado como já soava nos sonhos de vida no campo que preenchiam minha infância. Ao atravessar a rua, chegávamos à casa de campo de meus tios (Elza e Luís - também de São Bernardo) onde estavam mais primas. Nas temporadas quase toda a família se reunia em Curupá... era uma molecada enorme. Além disso, acho que metade de Curupá era formada por pessoas com algum grau de parentesco conosco. Quantas vezes, ao final das férias, me perguntaram se queria ficar por lá. Sempre quis ficar por lá. A casa de campo que meu pai havia comprado era muito antiga (o que é uma forma gentil de dizer que: estava caindo). O terreno tinha uns 600m2, o que era muito perto do sobrado geminado quase sem quintal onde eu morava em São Bernardo. A Mangueira do nosso quintal era a maior de lá. Mesmo com uma boa vida de classe média do ABC, naquela época preferiria morar em Curupá, mesmo se fosse para morar naquela casinha quase caindo. Quando estávamos em Curupá nas férias de verão, sempre freqüentávamos o Rio São João. As águas eram claras. O leito era formado por areia e pedras típicas do fundo dos rios. Na maior parte dos trechos que conheci, o rio era raso e limpo. Sabíamos onde haviam pontos de saída de esgoto (eram os melhores lugares para se pegar lambaris... e obvio que pegávamos...). Depois de 10 anos, há cerca de 7 anos estive em Curupá. Ainda tenho muitos parentes por lá. Para se ter idéia de minha relação com este rio, durante as visitas que fiz a muitos parentes queridos de lá, entre uma visita e outra, levei minha atual esposa (namorada naquela época) para a ponte de onde era possível ver parte do rio. Chegando lá foi uma imensa decepção. O rio estava destruído. Parecia uma canaleta de esgoto. Uma água (se é que era água aquilo) escura, acinzentada e fétida. Fiquei muito triste e impressionado com o que vi. Tanto que escrevi um poema (ou algo parecido com um poema):
eu e meu irmão no rio São João - Curupá - Tabatinga - SP

A Morte do Rio São João

Estive ausente por mais de 10 anos
E nesse tempo te guardei vivo na memória
Não vi tua agonia
Não tive noticias tuas
Outro dia numa foto
Me vi em teus braços doces
E eu estava feliz
Por muitos breves momentos de minha infância
Foste meu passa tempo
Alguns pulavam em ti sem medo
Outros, como eu, não tinham coragem
Chegavam mais receosos
Mas logo se entregavam
Cheguei a me aproveitar de tua generosidade
E tirei sustento de tuas entranhas
Do alto via um único ponto
Onde nossa ignorância jorrava dentro de ti
Mas parecia pouco, parecia normal
Os pequenos lambaris até pulavam ali
Como se nossos restos fossem seu banquete
Dia desses fui te apresentar
A minha companheira
Cheguei eufórico e cheio de belas estórias
Mas quando te avistei
Minha euforia transformou-se em tristeza
Não pude crer naquilo que via
Te vi minguando
Nossa ignorância te feria em muitos pontos
10, 100 não sei quantos
Nem mesmo o mais valente ousaria pular em ti
Teus braços doces cederam ao peso da burrice
Fiquei triste e nostálgico
Tentei contar como eras
Mas é difícil crer em tua morte
Te olhei por alguns minutos e parti
Queria fazer algo
Talvez te curar, te ressuscitar
Mas me falta tempo
E tempo falta a todos
Tempo falta a ti
Que não mais acolhe sonhadores em teus braços
Não por não querer
Somente por não poder mais
Pena daqueles que te mataram
Pois suas crias não desfrutarão de ti
Que estas palavras choradas
Tirem lágrimas d’outros tantos
Que ao te verem te encham de vida
Pois é vida que deves jorrar
É água que deves sentir correr
E não nossa estupidez...
...não nossa indiferença...
brincando no rio São João...
minha mãe e minha prima às margens do rio São João
reparem que a mata ciliar ... opa, qual mata ciliar?
     Anos depois, enquanto dava uma palestra para um grupo de jovens ambientalistas, um dos moleques que estava participando do evento me mostrou um álbum de fotos de quando ele tinha 7 anos e brincava numa nascente de um riacho e fotos do mesmo local 6 anos depois... irreconhecível. Tudo destruído. Cada um de nós deve saber de um lugar bonito e com água limpa que foi destruído, brutalmente transformado ou sucumbiu pelas transformações que o homem provocou em seu entorno. Se as autoridades fossem mais rigorosas, a maioria dos lugares utilizados por banhistas hoje teria placas dizendo: “LOCAL IMPRÓPRIO PARA BANHO”. A destruição é rápida e ao mesmo tempo silenciosa. Para os mais despercebidos, pouco importa o destino do lixo e do esgoto. Para alguns “progressistas”, canalizar o rio que passa perto de sua casa é um avanço... é o progresso! Impermeabilizar a rua é o máximo do desenvolvimento. Porém, todo mundo sabe que a natureza precisa ser protegida, aliás, ela precisa ser recuperada, o que depende da proteção e de um conjunto complexo de ações. A base das ações é sempre a educação. Desta forma, é com as crianças que os trabalhos bem elaborados e executados farão a diferença, o que supõem resultados à longo prazo (10, 20, 30 anos). Além da educação, o Estado precisa dos aparatos tecnológicos e humanos para realizar a “proteção” e a “promoção” da “boa nova”, ou seja, gente motivada para as ações, políticos preparados para representar o povo e fazer políticas públicas adequadas à realidade e equipamentos públicos para executar as atividades. Tudo isso requer tempo, determinação, honestidade e investimento. Ainda assim, a principal transformação tem que vir do Povo.
lixo e entulho em beira de rio (Água Branca - Araraquara-SP)
córrego Água Branca
córrego Água Branca - Araraquara - São Paulo
córrego Água Branca - Araraquara - São Paulo
durante processo de canalização
a recuperação e proteção passam longe destes métodos impactantes...

pela consulta que fiz no Google earth
deu pra notar que o problema da mata ciliar
continua no rio São João (e a imagem google é de 2004...)

Obs.: Estou à procura de fotos do Rio São João em Curupá SP. Por favor, os interessados em ajudar... enviem fotos. Vamos fazer uma campanha pela recuperação das matas ciliares...

     Vamos examinar alguns exemplos para tentar compreender melhor formas sustentáveis de resolver problemas simples que acabam virando problemas complexos e cíclicos.

Limpeza de vias públicas, guias, sarjetas e calçadas
calçada pavimentada tomada pelo mato
     É comum, ao andarmos pelas ruas, nos depararmos com calçadas em péssimas condições. Ou pelos buracos ou pelo mato, lixo e até mesmo pela largura de alguns passeios públicos, o fato é que em certos lugares é difícil caminhar. É comum também, observar que o meio fio, ou sarjeta, fica cheio de mato. Boa parte do ano, graças ao hábito de lavar os quintais, é dada condição favorável para o crescimento de capim nas sarjetas e calçadas. Pois bem. Quem deve resolver este problema? O Estado? O Morador? Uma terceirizada? Ninguém!?... Geralmente o Estado contrata equipes, como “frentes de cidadania” e “programas sociais” e passa a executar a retirada da vegetação que cresceu no meio fio. Vez ou outra, estendem o trabalho às calçadas. O trabalho é predominantemente braçal e bastante desgastante. Usam “chapinhas”, enxadas e roçadeiras costais, removem tudo, menos uma coisa... o buraco onde novamente nascerá capim depois de algumas semanas. Pode ser idiotice minha, mas acredito que se o trabalho fosse limpar de forma bem caprichada e corrigir as falhas, as mesmas equipes, quando viessem a ser contratadas novamente, fariam pequenas manutenções nestes serviços e poderiam partir para outras atividades, o que seria um avanço e um ganho de qualidade. Recentemente, ao se investigar reclamações de moradores de um bairro da Vila Xavier (Araraquara) junto à Vigilância Epidemiológica local, descobriu-se que os focos de mosquitos eram predominantemente na água parada em sarjetas obstruídas por mato e sujeira... Minha opinião é a seguinte: Gradativamente, o poder público municipal (de qualquer Município) deveria mapear as áreas e executar manutenções duradouras”. Além de se economizar materiais e recursos públicos, poderia-se melhorar a prestação dos serviços com a redução de trabalhos repetitivos de manutenção, o que libera recursos para outras e novas frentes de ação. No caso “suposto”, poderíamos esperar que os trabalhadores fossem contratados para fazer a limpeza e a calafetação dos buracos e frestas por onde o mato nasce e cresce (tudo de forma supervisionada e priorizando a qualidade dos serviços). O outro aspecto é o trabalho de orientação e coerção junto aos proprietários de imóveis para que as calçadas sejam confeccionadas e mantidas em ordem. Caso contrário o filme será o mesmo todos os anos... uma limpeza corrida e mal feita que dura entre 30 e 60 dias e o restante do ano com mato, criadouros, água parada e lixo, ou seja, doenças e gastos extras para os cofres públicos. Um Município como Araraquara possui em sua história uma tradição de bons sanitaristas e de bons e maus momentos diante da Saúde Pública relacionada à zeladoria da Cidade. Já foi a Cidade mais limpa da América, ainda está entre as mais arborizadas, é considerada o melhor lugar do Brasil em termos de qualidade de vida e, ainda assim, também historicamente, a Cidade já foi palco de grandes epidemias, o que até lhe rendeu o pseudônimo de “Pragaquara”, e vive novamente uma situação ruim no campo da Saúde preventiva. Aquela conta que diz que para cada R$1,00 gasto com Saneamento Ambiental se economizam de R$4,00 à R$7,00 em Saúde é chavão em qualquer lugar do Mundo. Se sabemos disto, o que está acontecendo quando optamos por gastar em Saúde o pior valor e ainda assim de forma equivocada.
sarjeta e calçada com mato
     Outro ponto importante que devemos observar é que a prioridade é para a circulação de veículos e não de pedestres e bicicletas... o que é uma tremenda inversão de valores.

Vamos ao exemplo das árvores, ou da arborização pública
calha obstruída por folhas...
     Por incrível que possa parecer, é comum o discurso das pessoas querendo a remoção de uma árvore de sua calçada. Pessoas ficam chocadas com o desmatamento na Amazônia, mas sempre que têm a chance, arrancam suas árvores e concretam tudo o que podem... quintais, calçadas, estacionamentos. Alguns por causa de brocas e cupins, outros, por causa do tamanho (mal escolhido) das árvores, outros por causa da “sujeira” que a árvore faz com suas folhas. É fato que a arborização da maioria dos municípios brasileiros é precária por alguns aspectos: as Cidades são pouco arborizadas; as arborizações são feitas com espécies pouco variadas; as espécies são geralmente exóticas e não apropriadas para a região onde foram plantadas; pessoas plantam árvores muito grandes em seus quintais e calçadas sem pensar no tamanho do problema futuro; as espécies são suscetíveis à ação dos cupins ... Por outro lado, com um pouco de boa vontade e planejamento é possível se equacionar todos os problemas “causados” pelas árvores. É possível se treinar equipes de poda e manutenção das árvores. É possível se adquirir os equipamentos necessários para os trabalhos. É possível, através de incentivos reais e amplos, estimular que as pessoas plantem e cuidem de árvores em seus quintais e calçadas. É possível que tenhamos árvores nativas da região, árvores frutíferas e belas flores. É possível combater as pragas e cupins... O que se vê, via de regra, são pessoas que conseguem a autorização para remover uma árvore de sua calçada, o fazem e fecham o local destinado ao plantio, ou seja, chega de árvore por ali... Só que nas Cidades o problema é ainda maior. Apesar de ainda parecer besteira para muita gente, a questão da proteção da flora, da fauna, dos mananciais e a questão do aquecimento global são questões de VIDA ou MORTE. Sendo assim, os Municípios devem fazer todo o esforço possível para garantir que em seu território a água seja protegida. Sejam as águas de superfície (dos rios, nascentes e represas) ou sejam as águas subterrâneas, temos que nos empenhar em garantir a qualidade deste fundamental elemento da natureza. Nas cidades, ruas arborizadas são indiscutivelmente mais agradáveis aos olhos e menos quentes e abafadas. Dentro dos esforços necessários para se protegerem os mananciais, estão as matas ciliares e as áreas de recarga do aqüífero. Então, além da arborização urbana, o Município precisa de bosques, áreas de preservação, mata ciliar (e esta impecável, dentro da lei e, se possível, mais protegida ainda) e parques municipais. Se fôssemos criar uma empresa para lidar com estas situações, teríamos que ter um grande aparato técnico e funcionários treinados e motivados (quando falo em motivação, é obvio que o dinheiro é importante, mas reconhecimento e valorização dos profissionais também pesam muito). É dever do Estado lidar com isso e creio, mais uma vez, que seria viável fazer bem feito e gastar menos do que se gasta para fazer na correria e, consequentemente, mal feito. Folhas de árvores não podadas entopem bueiros e calhas. A ausência de varrição freqüente, seja pelo morador ou pela limpeza pública, acarreta em problemas de saneamento e acabam chegando na Saúde, já como doença. Aí, todos sabem, fica mais caro e o risco para as pessoas é maior. Além de todos os benefícios para o meio ambiente, a arborização pode ser um atrativo turístico do Município. Tanto o turismo rural quanto o ecoturismo e os turismos de esportes radicais na natureza, desde que com limites e regras sustentáveis, são grandes geradores de emprego e renda e dependem de áreas bem preservadas e mantidas. Longe dos discursos, a realidade ainda está distante de ser aquilo que a Legislação atual exige dos municípios e dos particulares em relação à arborização e da defesa dos mananciais e cursos d’água... Há muito por fazer ainda.

Vamos falar um pouco sobre os bueiros e sobre o sistema de drenagem urbana
água parada em bueiro
     Muita gente acredita que os bueiros são portais mágicos que fazem coisas desaparecer. Digo isto pois já vi cenas que só podem significar isto. Pessoas jogam sacolas de lixo (destas de supermercado) nos bueiros; pessoas varrem a calçada e jogam as folhas e todo o lixo nos bueiros; pessoas catam as fezes de seus animais domésticos em pás e jogam nos bueiros; pessoas jogam o esgoto doméstico nas tubulações de água de chuva ligadas aos bueiros; pessoas jogam animais mortos nos bueiros; pessoas jogam restos de comida nos bueiros; pessoas podam árvores e jogam nos bueiros, pessoas jogam produtos químicos variados nos bueiros... e a lista é enorme... O que vai para o bueiro vai direto para o curso d’água sem qualquer tratamento... Considerando isto devemos imaginar que o trabalho educativo para reverter esta cultura é árduo e a fiscalização é fundamental. Outro fator de suma importância nesta equação são as equipes para manter e acompanhar as instalações do sistema de drenagem urbana, bem como as equipes especializadas em limpeza destas galerias e dos bueiros. Em Araraquara, por exemplo, a equipe é bem reduzida, os equipamentos são precários e sempre falta material para executar as ações. O pessoal se desdobra, porém, é humanamente impossível dar conta dos problemas que vem, desde a confecção das drenagens (muitas mal feitas e sem cumprir o projeto que foi licitado, boa forma de burlar licitações. Ganha a licitação para fazer 10 poços de visitação (PVs), mas faz só 4 e fica tudo certo) até questões operacionais e falta de estrutura e mão de obra. Mais uma vez, um problema simples, um acabamento mal feito, um desnível, algo errado e não checado, falta de equipes para trabalhar uma manutenção preventiva... acaba por cair e sobrecarregar a Saúde, custando muito mais caro para todos, ricos e pobres. Destes bueiros mal feitos e mal tratados saem escorpiões, baratas, ratos, moscas e mosquitos da dengue. Quem deve resolver isto? Quem está atento para isto? A modernização dos sistemas de drenagem urbana, assim como a manutenção e a melhoria destes é questão de engenharia e de bom senso... Não é para ser caso de Saúde... Mas acaba sempre sendo...
bueiro entupido
!!!???
     Existem finais de ruas em alguns bairros onde a recepção das águas de chuva e de limpeza de quintais não foi feita, ou seja, a água não tem para onde escoar... fica empoçada e causa problemas...

     Ou escolhemos um lado e tomamos posição em defesa das questões de saneamento, saúde e meio ambiente ou ficamos contra tudo isso, contra nós mesmos, contra a VIDA... Fiscalizar como as coisas acontecem na sua Cidade, no seu Bairro, na sua Rua... na sua Casa... este é o começo. Não seja um ser des-envolvido, ENVOLVA-SE!!!

     Semana que vem tentarei postar algumas vídeo reportagens (feitas se alguns amigos puderem colaborar). Tentaremos mostrar o quão simples são algumas saídas para questões que se arrastam por anos e ninguém tenta responder ou resolver. Parece que falar de coisas simples e produtivas é desinteressante. O negócio é criticar quem ousa sugerir e ficar buscando o inatingível sem nunca sair do mesmo lugar... temos que voltar a projetar o futuro. A vontade imediata de fazer coisas sem pensar nos atrasa muito...


IMPORTANTE: Todo o texto foi elaborado por mim tendo por base minhas experiências profissionais na área de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente. Os registros fotográficos também são de minha autoria. Quando houverem informações ou imagens de outras fontes, elas serão mencionadas. Não me oponho ao uso deste material parcialmente ou na integra para fins educativos ou para a confecção de trabalhos escolares, porém, por uma questão de respeito, peço que qualquer imagem ou trecho de textos retirados deste Blog mencionem o link:


Obrigado.
Obrigado e até a próxima....

quinta-feira, 17 de março de 2011

As pessoas que ninguém quer ver (parte 2) (e um suposto problema numa suposta Cidade)

     Antes de iniciar esta postagem preciso comentar algo. É absurda a forma como as coisas são facilmente deturpadas e manipuladas. Basta alguém dizer algo de forma levemente tendenciosa ou leviana para um detalhe virar caso... uma virgula virar ponto de exclamação! Uma mentira virar verdade. Para exemplificar isso farei uma série de suposições e, assim como nas novelas, qualquer semelhança com a vida real ou com fatos e pessoas é mera coincidência...


manifestação de estudantes em frente à Câmara de Araraquara
     Suponha que numa Cidade com cerca de 200.000 Habitantes, pelo ano consecutivo, os casos de Dengue sejam elevados, chegando em 3 dos 4 anos à níveis de epidemia. Suponha também que, apesar de muito bem cotada nos institutos que supostamente medem os índices de desenvolvimentos social, econômico, humano e ambiental, esta Cidade (supositória, é lógico) possui inúmeros supostos problemas de saneamento, de saúde pública, de transporte, de educação, de meio ambiente.... Como qualquer Cidade moderna. Suponha ainda que parte destes problemas seja supostamente desprezada (e mascarada) pelo poder público e principalmente por aqueles que deveriam elaborar as supostas “políticas públicas”. Teremos que continuar supondo... Então, suponha que nesta Cidade supositória existam criadouros em quase todos os imóveis. Do terreno sujo à casa bem cuidadinha da vovó... pra todo lado que se olha se vêem pessoas que não estão nem aí... ninguém cuida da própria casa e alguns, além disso, ainda jogam lixo no chão, entulho nos terrenos, lixo e esgoto nos bueiros e botam fogo no mato... Os supostos vereadores(as) e políticos(as) profissionais desta suposta Cidade estão muito supostamente ocupados em aumentar os próprios salários e aumentar o número de pessoas supostamente mamando no Estado, desta suposta forma fica difícil acompanhar as reais demandas desta suposta População, ainda assim, alguns poucos supostos vereadores e vereadoras tentam fazer um suposto trabalho de suposta contestação e argumentação mais próximos da suposta realidade. E suponho que estas coisas (oposições e situações) mudem muito de lado de um governo para outro. Nesta Cidade, como em qualquer outra que você possa estar supondo, há funcionários públicos. Como em qualquer lugar, seja no meio público ou no privado, há gente trabalhadora e honesta e há aqueles que sejam, vamos dizer, supostamente “folgados”. Sempre há o supostamente “puxa saco” e sempre há supostas injustiças. Sendo assim, suponhamos que uma parte dos funcionários responsáveis pelo controle da Dengue desta Cidade, em determinado momento, tenha supostamente deixado de cumprir suas supostas obrigações. Cada um pelos seus supostos motivos, justos para alguns, falhos para outros, alguns dentro da lei, outros fora dela. De qualquer forma eles até tinham alguns supostos motivos: supostamente não recebiam a insalubridade; supostamente ao fazer arrastões nos finais de semana recebiam supostamente muito menos que os supostos funcionários das supostas terceirizadas (e para trabalhar supostamente mais); o prédio onde eles supostamente trabalham é uma suposta vergonha; o salário é supostamente pouco; o desgaste físico e emocional é supostamente grande; o representante político deste suposto local não dá o suposto exemplo... mesmo supostamente assim, responsabilidade é supostamente responsabilidade. Tenho que lembrar que são meramente suposições. Suponha que por algum motivo dentre os poucos funcionários que não levam supostamente muito à sério seu suposto trabalho, alguns cometeram algum suposto erro ou agiram de forma supostamente equivocada. Nesta suposição, suponhamos que sejam abertos alguns processos administrativos (diferentes do meu) para apurar supostos fatos como: suposta falta não justificada em arrastão da suposta Dengue; supostos atrasos na entrada em serviço (isso já é supostamente descontado do suposto pagamento); deixar de supostamente executar tarefas cotidianas ou executa-las de forma supostamente faltosa... Enfim, supondo serem estes motivos adequados para abertura de supostos processos ou sindicâncias, e não discordo disso, levando-se em conta que em alguns casos a ausência possui supostamente justificativa legalmente correta e que o(a) supostamente acusado(a) pode estar sendo vítima de um suposto erro ou injustiça, ainda assim é muito inimaginável supor que um governo teria coragem de dizer que isso ... estes poucos e importantes servidores públicos ... seriam os supostos responsáveis por uma nova suposta epidemia. Porém, mesmo antes das apurações efetuadas, os casos de Dengue começaram a supostamente pipocar por todos os lados... a População sendo supostamente “comida” por mosquitos de dia e de noite... a zeladoria desta Cidade estaria supostamente precária... a População estaria supostamente vendo mato, lixo, entulho, mato, lixo, entulho e buracos... a relação entre o suposto poder público e seus supostos subordinados estaria supostamente desgastada graças a supostas perseguições e falas supostamente agressivas e equivocadas na imprensa... Como explicar outra suposta epidemia? Não dava para supostamente evita-la? Como anda o lado jurídico do Sistema de Vigilância desta suposta Cidade? Os Fiscais receberam capacitação jurídica para trabalhar com supostas Leis? Se, supostamente, não, qual o suposto motivo? (seria não aplicar a suposta Lei?...). E as condições de trabalho destes supostos funcionários? Atende ao que supostamente rege a CLT? Os supostos responsáveis pelas irregularidades, mesmo quando são os mesmos supostos palhaços de sempre, são autuados? Mesmo sendo supostos empresários e comerciantes? As autuações viram supostas multas? Viram mesmo? O cara paga? Tem certeza? Olha!!! Sei não hein... Para a maioria das pessoas o problema da Dengue nesta Cidade supositória seria causado por uma série de fatores. Mas, para o bom suposto político profissional, tirar o suposto fiofó da suposta reta é uma grande habilidade... chega ser um DOM! No lugar de compreender a situação e se elaborar um plano para médio e longo prazo; se construir uma sede adequada para as supostas atividades de Vigilância em Saúde (e são muitas); se valorizar os supostos profissionais envolvidos nas atividades; de buscar engajamento com os outros setores supostamente envolvidos... no lugar disso tudo, nesta Cidade que estamos supondo, escolheram outro caminho. Escolheram 12 supostos funcionários e tentam supostamente apontar para eles a causa da suposta epidemia de Dengue dentro da sua suposta casa, dentro dos bueiros do seu suposto bairro, dentro das supostas creches com crianças e funcionárias(os), postos de saúde e escolas, dentro dos supermercados e supostas lojas de roupas, dentro dos supostos ferros velhos, dentro das supostas indústrias e dos shoppings... querem supostamente dizer que é por causa de uma dúzia de supostas pessoas que teremos uma suposta epidemia, gente supostamente sofrendo, gente correndo risco de supostamente morrer... entendi. Essa foi muito supostamente boa mesmo... supostamente sensacional. Agora, nesta Cidade onde supostamente isso foi supostamente tramado, os supostos funcionários, que já não eram bem recebidos por uma larga parcela desta suposta População, serão supostamente taxados de vagabundos, incompetentes e outros palavrões. Genial a estratégia. Todos acreditarão que a culpa é supostamente destes funcionários supostamente acusados. Desta forma, quem supostamente ganha R$4.000,00 para supostamente resolver a equação da Dengue (e supostamente não entende nada disso e não participa do trabalho cotidiano) e  os responsáveis pela suposta Saúde e pela suposta Administração deste suposto Município se isentam das supostas críticas e cobranças. Supostamente lindo!!! Comovente!!! Destroem e brincam com as supostas vidas de algumas supostas pessoas, jogam supostamente sujo, supostamente mentem, supostamente escondem problemas, supostamente distribuem cargos, horas extras e vantagens, supostamente fazem mau uso dos recursos, supostamente desrespeitam a CLT, supostamente não resolvem os problemas de suas supostas alçadas e supostamente querem culpar o(a) suposto(a) trabalhador(a) da suposta base... o que já é o mais supostamente pisado e explorado. Era só o que supostamente faltava. Ainda bem que são só suposições... Supostamente atribuíram culpa à População e a alguns poucos funcionários. Supostamente pergunto eu: As escolhas políticas, a atenção e o direcionamento dado aos supostos problemas desta suposta Cidade foram eficientes? Deram resultado ou foram e estão sendo um suposto fracasso? Se teve um ano de suposta estabilidade, de quem foi o trabalho supostamente realizado? Qual o resultado até agora do suposto trabalho prestado por este suposto governo? Perguntas supostamente difíceis de responder...

Comentário final sobre este assunto:

     Você sabe quem paga as indenizações trabalhistas quando um funcionário de uma prefeitura qualquer passa por assédio moral, perseguições e ilegalidades? Você. É isso mesmo. Toda vez que representantes de administrações públicas cometem com seus funcionários atos entendidos pela Justiça como indenizáveis, você paga a conta. São processos de R$30.000,00, R$50.000,00, R$100.000,00... (e não são poucos). A perseguição e as ilegalidades foram praticadas por um grupo de pessoas ou por uma pessoa só, porém a conta é nossa. Que legal! Sendo assim, o administrador público pode fazer qualquer cagada com seus subordinados que tudo bem, se o cara botar no pau, o Povo paga. Pra que um político vai se preocupar em respeitar a Lei ao perseguir seus opositores? Ele é o Poder e o custo dos seus erros passam para o poder dos outros... Maravilha. Creio que isto precise mudar urgentemente!!! Esta conta não pode mais ser do Povo!!!

Essa tava intalada mesmo... Desculpem.
(minha 1ª postagem dá um bom exemplo de perseguição)

Curiosidade: Numa greve onde 2 dos quase 150 funcionários da Vigilância de Araraquara haviam aderido, um Juiz achou de suma importância que estes 2 voltassem ao trabalho para que todos os esforços fossem usados contra a Dengue. Pois bem. Eu era 1 dos 2 importantes servidores, mas agora, mesmo com a coisa pegando fogo, mesmo sem um motivo real, querem que eu fique em casa escrevendo, lavando louça e cozinhando... tudo porque algum “perito” me considerou “perigoso” no meu ambiente de trabalho. Meu processo é por ter falado coisas que um monte de gente já falava e fala abertamente. Desabafei e dancei. Ok! Não me importaria de estar trabalhando, pelo contrário, minha esposa é linha dura, tenho que manter tudo arrumadinho em casa, além disso tenho que limpar a calha, podar a árvore, cortar a grama, limpar a caixa d`água, fazer uns serviços de pedreiro, arrumar a antena, trocar umas telhas quebradas.....


IMPORTANTE: Todo o texto foi elaborado por mim tendo por base minhas experiências profissionais na área de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente. Os registros fotográficos também são de minha autoria. Quando houverem informações ou imagens de outras fontes, elas serão mencionadas. Não me oponho ao uso deste material parcialmente ou na integra para fins educativos ou para a confecção de trabalhos escolares, porém, por uma questão de respeito, peço que qualquer imagem ou trecho de textos retirados deste Blog mencionem o link:


Obrigado.

     Voltando ao tema que me coloquei a trabalhar numa série de postagens, descreverei 2 casos muito diferentes e emocionantes. Sempre tento descrever com os detalhes que guardei em minha memória as coisas que tenho postado. Algumas cenas que vi eram tão impressionantes que ficaram em minha mente como se fossem fotos. Não sei se assim como as fotos elas desbotarão com o tempo... nem tampouco se se apagarão, o que sei é que de alguma forma, os fatos que relato me marcaram muito e sempre me fazem pensar na vida... no que espero dela... no quanto tenho para oferecer... no quanto realmente ofereço... e sempre, sempre mesmo, fico incomodado. Deve ser isto que me faz ir adiante...

Caso da Ângela

     Para iniciar devo dizer que o nome da Ângela não é Ângela. Não é meu objetivo expor pessoas ou lugares, apenas fatos e memórias.

     Certa vez, recebemos uma ocorrência com forte conotação de problema social. Quando digo isso tenho franco conhecimento que questões sociais, ambientais e de saúde andam sempre ou quase sempre juntas. O que me dava esta certeza era o relato da pessoa que fez a notificação: Casa com ratos (pequenos e grandes) onde mora uma moça usuária de drogas com um recém nascido, um senhor de idade e dois adolescentes. Sempre temos o hábito de fazer contato pessoalmente com quem pede o atendimento. Isso facilita a compreensão dos fatos e evita que o fiscal entre em “brigas de vizinhos”, o que é muito comum também. Procuramos a Notificante. Era uma senhora negra meio gordinha com cerca de 60 ou 65 anos. Tratava-se de pessoa muito bem esclarecida e super simpática e agradável. Sua casa estava impecável. Ela disse ter visto e ouvido ratos no local, mas nós não encontramos fezes de roedores (rato não gosta de lugar limpo e arrumadinho, em lugares assim não há restos de comida. Quem gosta de bagunça e sujeira é o ser humano. O rato gosta é de comida!) Ela explicou que seu imóvel era desmembrado de forma que eram três residências distintas. Nos fundos vivia uma rapaziada jovem entre 19 e 25 anos. Tinha uns pitbulls e muitas fezes enormes de pitbulls pelo quintal. Do pouco tempo que ficamos lá deu pra sacar que era uma boca de fumo. Explicamos sobre a limpeza do quintal, sobre a forma de manter as rações e fomos para a rua. A Notificante contou que a moça que morava na casa ao lado da dela era usuária de crack, para agravar tinha um bebê com cerca de 6 meses com ela. Havia ainda um Senhor que, segundo ela, era “esclerosado”, e só estaria naquela casa por causa do seu cartão do benefício social. Além disso um casal de adolescentes teria se “juntado” e estaria morando ali também. Preparamos nossos sentidos e nossas almas e fomos ao portão da casa para chamar pelos moradores. A Notificante nos acompanhou. Chamamos... chamamos... chamamos... e, mesmo com o portão entreaberto e sem porta na sala, mesmo vendo que havia alguém lá dentro... ninguém saía. O padrão seria: “vamos embora”. Mas somos chatos e resolvemos pedir para a Notificante que nos acompanhasse para que tivéssemos uma testemunha de nossa vistoria. Empurramos o portão, demos alguns passos e vimos um armário de cozinha de frente para a porta de entrada, como se ele quisesse sair de lá. Não sei como meu parceiro (o grande Marcelão Castageni – meu mestre) viu o que vou narrar, mas eu vi a seguinte cena:

     Num sofá todo rasgado e sujo colocado no fundo de uma pequena sala conjugada com uma cozinha estava uma mulher com um bebê no colo. Ela estava amamentando, sendo assim, não olhei atentamente num primeiro momento, fiquei constrangido. Me atentei para as condições do lugar. Mas olhei novamente para entender melhor aquele quadro, afinal, eu estava lá para ver as pessoas. Quando prestei atenção não pude acreditar. A criança estava envolta em um dos braços da mulher enquanto mamava. Com a mão deste braço a mãe segurava uma lata furada onde estava uma pedra de crack. Na outra mão ela tinha um isqueiro. Enquanto seu pequeno e franzino filho lutava para sugar seu seio, uma mulher com menos de 30 anos, mas muito magra e debilitada, ela lutava para sugar a fumaça que saía da lata. Fiquei congelado. Normalmente só vemos estas coisas pela TV. Na TV não tem cheiro, não tem contato, não tem o mesmo peso. Ao lado havia uma porta que dava acesso a um dormitório. De onde estava olhei lá para dentro e vi um senhor negro com cabelo e barba bem grisalha sentado numa cama. Ele segurava um livro e ficava olhando o livro, murmurando e balançando o corpo para frente e para trás... para frente e para trás... O cheiro do imóvel era muito forte. Predominava o odor de urina humana e de roedores. Dei uma olhada no armário que vimos da entrada e estava forrado de fezes de roedores. A cozinha estava muito suja. Andei em direção ao dormitório e perguntei o nome daquele senhor. Ele continuou balançando e olhando o livro. Perguntei o que ele estava lendo. E ele continuou balançando e olhando o livro. O quarto estava imundo e fedia muito, de arder os olhos. Um amontoado de colchões e roupas, além do lixo, é claro. Da porta, olhei melhor aquele homem. Era um senhor que aparentava uns 75 anos. Ele estava magro e com a roupa bem suja. Tentei ver o que ele estava lendo e vi que era a Bíblia Sagrada, porém ela estava de cabeça para baixo, sendo assim, deduzi que ele não sabia ler. Notei também que ele apenas murmurava, mas não dizia nada. Ele não parou de balançar. Tentamos estabelecer contato com a mulher que estava com a criança e com a lata. Ela só dizia, repetidas vezes: sim senhor... sim senhor... Percebemos que não havia nada a fazer naquela hora, estava impossível. Até tentamos, mas não dava. Enquanto eu tentava entender aquilo tudo e pensava numa estratégia, o Marcelão vistoriou o imóvel, que estava muito precário.

     Saímos de lá desolados. Certas vezes, quando deixamos um lugar como este, mantemos o silêncio por alguns minutos. Talvez na esperança de ouvir de dentro de nós alguma solução... Depois de alguns instantes, começamos a avaliar possibilidades de ação e na hora pensamos: vamos ao Conselho Tutelar, pelo menos aquela criança a gente já tenta salvar já. Fomos e agendamos uma vistoria conjunta para o dia seguinte. O Conselheiro se mostrou muito prestativo e preocupado. Fomos ao local e desta vez estava apenas o Senhor e os dois adolescentes (um rapaz de 17 e uma menina de 15). Como fomos pela manhã, todos estavam deitados e foram acordados por nossa visita. Perguntamos imediatamente pela Ângela e pelo bebê. Os adolescentes disseram que ela havia ido ao Posto de Saúde com a criança para buscar leite. Resolvemos aguardar um pouco. Neste tempo, o Conselheiro Tutelar conversou bastante com os adolescentes, anotou informações, deu broncas... Passados uns 15 minutos, fomos ao Posto na intenção de encontrar a Ângela. Porém, algumas vizinhas disseram que quando ela viu nossas viaturas ela fugiu. Mais uma vez, poderíamos dizer: “agora é com o Conselho”. Mas somos chatos. Desta forma marcamos nova tentativa em conjunto. Fomos ao local na hora combinada. Depois de 30 minutos de espera, resolvemos ligar para o Conselheiro (a cobrar, já que não tínhamos crédito). Ele atendeu e disse que não poderia ir ao local. Segundo ele um assunto foi mencionado na imprensa e ele tinha que dar esclarecimentos urgentes. Fomos sozinhos ao imóvel para saber da Ângela e do bebê. Fomos informados que todos haviam fugido da casa e ninguém sabia para onde...

     Não sei se era a Bíblia que estava de cabeça para baixo nas mãos daquele pobre senhor... acho que era o Mundo que estava...

Caso da Dona Tereza

     A denúncia apontava para uma casa onde, segundo a Notificante, viveria uma senhora de idade no meio do lixo. Mais uma vez, a questão social e a questão do idoso. Como de costume, procurei pela Notificante. Por cima do muro de divisa via-se um quintal com mato alto e coisas jogadas, mas principalmente o mato. A Notificante e várias pessoas da vizinhança se aproximaram para participar da conversa, o que é ótimo para fazer trabalhos educativos espontâneos. Na conversa todos diziam num mesmo coro: “vem um monte de gente aqui, ninguém entra. Ela corre atrás com o cabo de vassoura. Ela finge que não está em casa. Ele só come quando algum vizinho leva comida. Ela se perde pela rua. Ela leva um monte de lixo pra casa. Ela esquece das coisas... (Meu avô teve Mal de Alzheimer, sei o que é). Tivemos conversas francas e sempre comento com a População das dificuldades de se resolver alguns casos. Fui até a casa e passei a chamar. As vizinhas diziam que ela estava em casa, mas que certamente não atenderia. Tentei... chamei pelo nome... nada. No meio das conversas alguém disse que a única coisa que a Dona Tereza adorava e falava sempre bem era do prefeito da Cidade. Segundo os vizinhos era devoção. Pode parecer cruel, mas tive uma idéia com isso. Como a Dona Tereza não atendeu, tive que ir embora para fazer novas tentativas em outras oportunidades. Em uma das tentativas, chegamos praticamente juntos ao portão. Eu a chamei pelo nome e estendi a mão. Ela olhou para mim com lindos olhos claros e perguntou: “Quem é você? O que você quer?” Não tive dúvida, disse na mesma hora, com clareza e convicção: “Sou o prefeito Dona Tereza!” Ela olhou... olhou... Acho até que desconfiou, mas abriu um sorriso e me deu um abraço. Segurou firme minha mão e perguntou: “No que é que eu posso ajudar o senhor?” Respondi: “Fiquei sabendo que a Senhora está passando algumas dificuldades em sua casa. Me falaram que a Senhora precisava de ajuda e eu vim dar uma olhada. Se for verdade vou pedir pessoalmente para vir um monte de gente boa aqui pra ajudar a Senhora. Só que pra saber pra onde eu mando os pedidos eu queria dar uma olhadinha na casa da Senhora.” Ela relutou. Disse que não estava preparada, mesmo assim me conduziu até à garagem (o que já era um grande avanço). Dali já se sentia um cheiro confuso de urina, gordura, fezes, baratas, bolor... e era possível ver que no meio do mato havia coelho, ou melhor criadouros. Dei uma boa andada pelo quintal retirando criadouros e focos de mosquitos. Mesmo com sua devoção pelo prefeito, ela não me deixou entrar na casa.
garagem
     Recorri a alguém que, de tão “louco”, sempre consegue estabelecer contato com os “loucos”. Nesta época, eu e meu atual parceiro de trabalho trabalhávamos em áreas diferentes da Vigilância. Solicitei uma vistoria conjunta e fomos nós. Como eu já esperava, ele rapidamente conseguiu convencer, nem me lembro como, a Dona Tereza a permitir que olhássemos e fotografássemos o interior da residência. Aí, bem, a partir daí conheci um mundo diferente. O mundo da Dona Tereza.

     Dentro de todo o imóvel estavam armazenadas sacolas e sacolas com todo tipo de coisas dentro. Aparentemente era lixo, mas no geral eram recicláveis. Peguei algumas coisas. Escolhi um saco com garrafas de amaciantes. Todas as garrafas estavam cheias de água. Muitas outras garrafas de muitas outras coisas estavam cheias de água. Para transitar de um lugar para outro, só em estreitos corredores entre sacolas e coisas empilhadas. Na cozinha, inúmeros recipientes com água e larvas de mosquitos. Abri a geladeira e tomei um susto. Ratos e baratas corriam de um lado para outro. A geladeira estava desligada, ainda assim, armazenava alguns alimentos. O banheiro não tinha chuveiro e, pela poeira, aparentava não ser muito visitado. No vaso sanitário a água estava baixa e com larvas de mosquitos. No quarto, um pouco mais de organização, apesar de todo o caos, mesmo assim, era o local mais agradável da casa. No quintal, havia esgoto aberto, muitos criadouros ainda e o mato. Percebi que ela não havia se lembrado de mim. Desta forma, qualquer tentativa de orientação ficaria literalmente no esquecimento.
sala
sala
corredor
cozinha
refrigerador
dormitório
     Quando saímos os vizinhos nos rodearam e começaram a conversar. Nesta conversa alguns familiares da Dona Tereza foram apontados e conseguimos conversar com eles. Não foi muito fácil, mas a família conseguiu tirar a Dona Tereza da casa por 1 dia. Foi o suficiente para que 3 fiscais (eu, Marcelão e Luis Fernando) e 2 motoristas (Sr. Clésio e o finado Sr. João), juntamente com 3 familiares da Dona Tereza removessem quase 5 toneladas de lixo. A quantidade de ratos que se matava só de se andar sem olhar para o chão era impressionante. Centenas de camundongos viviam ali. Dezenas de focos de mosquitos. Centenas de baratas... Quase tudo foi jogado fora. No meio das coisas penicos (e com brinde surpresa). A vizinhança colaborou fazendo lanches e servindo café e refrigerantes para nós que executávamos o trabalho. No início da manhã, cerca de 2 toneladas já haviam sido jogadas para cima de um caminhão por dois moradores, o motorista (respeitadíssimo e muito admirado por mim - Sr. Clésio) eu e o Marcelão.

     Num caso assim, a limpeza garante um pouco a situação para a vizinhança e melhora um pouquinho para o morador, por outro lado, com a volta da pessoa para o imóvel, além do choque que ela terá ao ver seu mundo todo transformado, não é difícil imaginar que não tardará a acontecer tudo novamente. A participação da família é crucial. Nunca podemos julgar. As vezes algumas pessoas buscam com seus erros caminhos tortuosos. No caso da Dona Tereza a família não era negligente, era desinformada sobre a doença da Dona Tereza e sobre os procedimentos legais em casos assim. Algum tempo depois da limpeza, os familiares tiveram que comparecer ao Fórum para definir a situação da Dona Tereza, fatos que transcorreram de forma positiva. Porém, antes disso, fizemos uma visita de rotina no imóvel. A Dona Tereza não estava e segundo os vizinhos estaria muito debilitada e internada. Fizemos alguns contatos e tivemos notícias de que ela estaria no Pronto Socorro Municipal, onde teria dado entrada prostrada e desnutrida. Fomos para lá para ter notícias. Nos informaram que dois dias antes ela teria dado entrada na Santa Casa de Misericórdia em situação muito grave. Fomos ao hospital e perguntamos pela Dona Tereza. Uma enfermeira nos apontou o caminho. Entramos nos corredores tristes da Santa Casa, descemos por rampas e entramos num corredor que estava sendo parcialmente reformado. Era quase final de nosso dia de trabalho e de nossa suada semana. Andamos lentamente pelo corredor. Mantínhamos o silêncio e olhávamos para dentro dos leitos. Pessoas deitadas, caras de dor, de medo... Num dos quartos, já perto do final do corredor, cuja porta mais próxima dá para a saída dos carros funerários, estava a Dona Tereza. Sozinha e magra, muito magra, a Dona Tereza estava apenas com aquelas roupas de hospital, de forma que suas costas estavam aparentes. Via-se a coluna cervical daquela mulher. Visivelmente desnutrida, a Dona Tereza estava sentada na cama, amarrada pelos pulsos e tornozelos com faixas de curativos. Um soro estava conectado ao seu braço. Seus cabelos brancos e longos estavam soltos e bagunçados. Ela olhava fixamente para a parede à sua frente, balançava o corpo para frente e para trás e dizia quase sussurradamente: “Me ajuda... me ajuda... me ajuda...” Fiquei uns 5 minutos olhando a cena que não se alterava... balançava o corpo para frente e para trás e dizia: “Me ajuda... me ajuda... me ajuda...” Sai de lá, arrasado. Piquei meu ponto, peguei minha bicicleta e fui para minha casa. Tomei um banho e, ao tentar contar este triste caso para minha esposa, chorei como quem perde um amor... Imaginei se poderia chegar àquele ponto. Tive medo. Imaginei que ela ainda poderia estar lá... daquele mesmo jeito e que talvez ninguém fosse vê-la naquele final de tarde e nem durante toda a noite e nem no final de semana. Que ela estava sozinha e deveria estar morrendo de medo... de sair pela porta dos fundos daquele corredor...

     Hoje, pela última informação que tive, a Dona Tereza vive bem com um dos filhos em São Paulo.

     Naquele pequeno pedaço da Cidade, alguns poucos moradores viram que é possível fazer algo mais e demonstraram admiração por isto...

     Na semana que vem uma postagem sobre saneamento, meio ambiente e saúde...

Obrigado e até a próxima....